OAMa
Pesquisadora do OAMa soprando as penas de um beija-flor na mão para avaliar a plumagem

Programa de Treinamento em Monitoramento de Avifauna

O monitoramento de avifauna, em especial a técnica de anilhamento, exige um treinamento supervisionado para a formação de ornitólogos de campo habilidosos, com uma atuação ética e altamente qualificada. Este tipo de treinamento é oferecido em diferentes partes do mundo, em especial na América do Norte, mas não existia no Brasil até muito recentemente. Acreditando na importância desse treinamento para o desenvolvimento dos estudos ornitológicos em campo com alta qualidade no Brasil, o OAMa iniciou o programa de treinamento em monitoramento de avifauna em 2022. Os objetivos deste programa são principalmente os seguintes:

  • Contribuir para a capacitação e formação técnica de novos cientistas, biólogos e profissionais educadores e interessados em ornitologia e conservação;
  • Oferecer um programa de treinamento e capacitação para ornitólogos de campo que atenda à demanda nacional e internacional.
Trainee do OAMa examinando ave capturada durante sessão de anilhamento na Mata Atlântica
Trainee do OAMa registrando dados biométricos de ave em campo
Trainee em atividade prática de anilhamento supervisionado

A combinação entre monitoramento e treinamento é uma forma de promover ambas as atividades. Para o treinamento é necessário ter diversas áreas de monitoramento para que os trainees tenham constante atividade prática e também experienciem uma maior diversidade de habitats, situações e avifauna. E para o monitoramento, é necessário ter uma equipe ampla e qualificada.

O nosso programa de treinamento foi estruturado utilizando o modelo do Observatório de Aves de Klamath (KBO) como base. Adaptamos a estrutura da capacitação para nossa realidade local, seguindo as diretrizes do ICMBio/CEMAVE e a legislação ambiental brasileira.

O treinamento acontece presencialmente e requer dedicação exclusiva e residência na Estação de Pesquisa do OAMa, localizada na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Alto da Boa Vista, em Bocaina de Minas/MG. A imersão segue um currículo de aprendizagem montado pela equipe do OAMa, com acompanhamento contínuo de instrutores em atividades práticas (focadas nas técnicas de captura-marcação-recaptura com redes de neblina e anilhamento de aves de sub-bosque), e teóricas (lista de material de estudo, discussões de artigos e elaboração de seminários).

Sobre Inscrições

O lançamento de edital de seleção é realizado uma vez por ano, normalmente, no qual selecionamos em torno de quatro trainees para um ciclo de atividades de no mínimo 12 semanas. A divulgação é realizada em nossas redes sociais.

Sem chamadas abertas no momento.

O programa é coordenado e supervisionado por Luiza Figueira. Luiza é co-fundadora e Diretora Executiva do OAMa, anilhadora e treinadora certificada pelo NABC desde 2015, anilhadora sênior do CEMAVE e responsável técnica pelas licenças de pesquisa do OAMa no SISBIO e SNA/CEMAVE. A realização conta com a participação de diversos colaboradores da equipe OAMa. Affonso Souza, Danielle Santos, Karine Resende, Otávio Rocha, Pedro Martins, Rachel Fidelis e Victor Sanchez fazem parte da equipe qualificada do OAMa para atuar no monitoramento e treinamento do OAMa.

Quem já participou

25 pessoas já passaram pelo programa, de 2022 a 2025.

2022 6 trainees

  • Otávio Rocha

    Biólogo, 25 anos, Fortaleza (CE)

    Fevereiro a maio · 90 aves processadas

  • André Menini

    Biólogo, 25 anos, Caieiras (SP)

    Fevereiro a maio · 104 aves processadas

  • Danielle Santos

    Bióloga, 23 anos, Palmas (TO)

    Março a julho · 165 aves processadas

  • João Victor Ferrari

    Biólogo, 24 anos, São Borja (RS)

    Maio a julho · 127 aves processadas

  • Gabriela Inhesta

    Bióloga, 24 anos, Curitiba (PR)

    Julho a setembro · 41 aves processadas

  • Luiz Felipe Gonzaga

    Biólogo, 22 anos, Foz do Iguaçu (PR)

    Agosto a novembro · 136 aves processadas

2023 12 trainees

  • Victor Sanchez Gonzales

    Estudante de Ciências Ambientais, 27 anos, Baja Califórnia Sur (México)

    Março a setembro · 171 aves processadas

  • André Basílio Ayres Tavares

    Estudante de Ciências Biológicas, 29 anos, Niterói (RJ)

    Março a setembro · 170 aves processadas

  • Natália Inacio-Almeida

    Bióloga, 24 anos, Campinas (SP)

    Março a junho · 108 aves processadas

  • Thalia Matos Aguiar Viana

    Bióloga, 23 anos, São Luís (MA)

    Março a junho · 87 aves processadas

  • Mariane Rodrigues Guedes

    Bióloga, 27 anos, Itabuna (BA)

    Março a abril · 27 aves processadas

  • Patrícia dos Santos Ferreira

    Bióloga, 28 anos, Campos do Jordão (SP)

    Junho a setembro · 134 aves processadas

  • Leonardo Wolff de Oliveira

    Estudante de Biologia, 25 anos, Lages (SC)

    Junho a setembro · 115 aves processadas

  • Caroline Brenda Berté

    Bióloga, 31 anos, Foz do Iguaçu (PR)

    Junho a julho · 18 aves processadas

  • Francisco Javier Contreras Molina

    Professor e pesquisador, 43 anos, Falcón (Venezuela)

    Junho a julho · 18 aves processadas

  • Tarso Natividade Ciolete

    Biólogo, 31 anos, Contagem (MG)

    Agosto a setembro · 44 aves processadas

  • Daniela Ventura Del Puerto

    Bióloga, 26 anos, Havana (Cuba)

    Agosto a setembro · 46 aves processadas

  • Andreza de Freitas Nunes Oliveira

    Bióloga, 26 anos, Fortaleza (CE)

    Periódica, de março a dezembro · 72 aves processadas

2024 3 trainees

  • Rachel Augusta Monteiro Fidelis

    Estudante de Biologia, 23 anos, São Paulo (SP)

    Setembro a novembro · 133 aves processadas

  • Rone Fernando de Carvalho

    Biólogo, 39 anos, Diamantina (MG)

    Setembro a novembro · 89 aves processadas

  • Rayanne Lorrane Cruz da Silva

    Bióloga, 29 anos, Brasília (DF)

    Setembro a novembro · 111 aves processadas

2025 4 trainees

  • Luisa Simões Pires Fabricio

    Bióloga, 25 anos, Porto Alegre (RS)

    Maio a julho · 122 aves processadas

  • Isadora Cristina Müller de Aguiar

    Bióloga, 25 anos, Santa Maria (RS)

    Maio a julho · 108 aves processadas

  • Bruno Luka de Souza Bambirra Silveira

    Biólogo, 23 anos, São Paulo (SP)

    Maio a julho · 113 aves processadas

  • Luis Felipe Santos Coelho

    Biólogo, 21 anos, Rio de Janeiro (RJ)

    Maio a julho · 89 aves processadas

O programa de treinamento é viabilizado por uma taxa de inscrição por parte dos trainees, com o apoio de doadores do OAMa e com os recursos levantados com a “FUNdraising Field Trip”, que realizamos anualmente em parceria com o KBO. Buscamos APOIO E PATROCÍNIO para garantir a viabilidade deste programa anualmente de forma acessível para os trainees. Caso você ou sua empresa queira alavancar essa iniciativa de qualificação profissional, nos envie um e-mail para contato@oama.eco.br com o título “PROGRAMA DE TREINAMENTO - APOIO”.

Em caso de dúvidas, escreva-nos para contato@oama.eco.br com o título “PROGRAMA DE TREINAMENTO - DÚVIDA”.

Intercâmbio de Anilhadores

O OAMa e o Observatório de Aves de Klamath (KBO), localizado no Oregon, Estados Unidos, promovem um intercâmbio de seis meses entre trainees das duas organizações. O objetivo dessas viagens é proporcionar a continuidade da capacitação profissional de anilhadores de aves para além das fronteiras nacionais (“Banders Beyond Borders”).

Durante o intercâmbio, os trainees continuam seus estudos e atividades práticas, como o uso seguro e ético de redes de neblina, o levantamento de avifauna, o anilhamento de aves, as técnicas avançadas de identificação de idade e sexo, e a entrada e o gerenciamento de dados. Os participantes também têm oportunidade de atuar como monitores em workshops e atividades de educação ambiental.

E, ao fim da experiência, os intercambistas são testados em seus conhecimentos, em busca de certificações internacionais de anilhadores e de treinadores pelo Conselho Norte-americano de Anilhamento (NABC). Esse projeto de partilhas técnicas e culturais só é possível graças aos recursos obtidos nas “Fundraising Field Trips”.

Trainees do OAMa em atividade de anilhamento durante intercâmbio internacional
“Participar do intercâmbio no KBO tem sido uma das experiências mais intensas da minha vida. Viver imersa na rotina de campo não é fácil, mas tenho aprendido muito sobre a ética no anilhamento de aves, trabalho de campo e liderança. Para além do crescimento profissional, conheci outras culturas, idiomas e criei preciosas amizades com pessoas de várias partes do mundo. Uma oportunidade como essa, para alguém que vem de tão distante, não é fácil, afinal, muitos custos estão envolvidos. É por meio de doações, filiações e de viagens de arrecadações de fundos que esses sonhos se tornam reais. Essa é uma experiência que pode moldar e mudar caminhos, e que eu desejo a todos que puderem ter a oportunidade.”
– Andreza Freitas, voluntária de divulgação científica do OAMa e doutoranda no Laboratório de Ecologia de Aves e comportamento da UERJ pelo programa de pós-graduação em Ecologia da UFRJ.